quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um ano e meio!!! Ó tempo, anda mais devagar pá!

Passou-se um ano desde que cá escrevi...e diga-se de passagem, que ano!
Qual o feeling agora que tenho dois minutos para reflectir?

Bem antes de tudo, falar inglês basicamente só em trabalho e nas lides rotineiras de supermercado e tal...português continua a ser o idioma que falo a maior parte do tempo! O estilo de vida é diferente, as regalias são boas. Tenho hoje outra perspectiva de vida, sei que se me esforçar terei o que quero! Ganhei independência, o meu ordenado já me permite fazer algumas coisitas a mais, os meus dias de férias dão mais dias à vida!

Impressiona a cultura inglesa...na positiva por tolerar tantas e imensas culturas, não sei se existirá outro povo assim...na negativa, por alguns acusarem uma falta de QI algo surpreendente para um país de primeiro mundo e pelo medo de se fugir de rotinas, guidelines e um excesso de zelo para tudo...até para informar que embalagens de paracetamol contém paracetamol!

Mas apesar de tudo existem sempre saudades, em especial sobre o ponto de vista profissional. Trabalhei com muitas pessoas competentes e profissionais, com grande sentido de companheirismo e camaradagem, fiz parte de uma equipa fantástica e a qual nunca esqueci!
Da família e amigos, sente-se sempre falta. Felizmente com as minhas idas frequentes à ilha, sinto que posso dedicar-lhes tempo de qualidade e ganhar segurança para outros voos! 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Feels like...Portugal!

Já a algum tempo que não por cá escrevo, verdade seja dita que a vida por cá tem-me mantido deveras ocupado. Ao contrário daquilo que esperava, ainda não sei o que é ter momentos mortos, e isso é bom sinal!
Seja como for, desde a última vez que por cá passei já regressei à Madeira e senti como se nunca tivesse saído. Não me senti como um emigrante que vai de férias a casa, mas como um turista que regressa de férias para outras férias! Devo dizer que é um dos rótulos que não assimilo, recuso-me assumir como emigrante, apenas como alguém que trabalha longe de casa o suficiente para lá ir quando quiser. Neste mundo se calhar esta noção começa a ser obsoleta...
Ainda assim o melhor foi poder aproveitar o tempo, o qual fiz render como nunca acontecera antes e desfrutar melhor de casa! Obviamente já havia um pouco de saudade! Voltar foi uma sensação esquisita, senti uma espécie de tristeza pelo facto de ir embora e também por terem acabado as férias! Mas sabendo que estou a uma curta distância de casa faz com que a tristeza não se apodere de mim e faz com que prossiga com a minha vida por cá! Outro sentimento interessante é a independência, o aperceber-se que estou por minha conta e que me desenrasco muito bem, algo maravilhoso!

Nestes tempos tenho conhecido gente nova e devo dizer que, após algumas conversas, descobri que vivo num mundo cheio de possibilidades, basta ter a vontade e pode-se fazer montes de coisas bem interessantes, seja a nível profissional ou pessoal, algo que nunca poderia na ilha! Devo dizer que estou entusiasmado com as possibilidades que tenho pela frente! 

sábado, 22 de junho de 2013

Lançando as primeiras raízes, a casa nova

Já começo a chegar à fase em que já vou esquecendo há quanto tempo cá cheguei. A adaptação está a correr bem e noto que a Inglaterra é um bom sítio para se viver.
Entretanto nestes dias houve mudança de casa e com tudo o que isso implica, que de certa forma é um começar de zero. Mas é um desafio interessante, embora cansativo, sendo que neste novo local tenho novas perspectivas e tenho um sítio onde vou passar uma temporada. O desafio é para já tornar o local de vivência confortável, aconchegado e relaxante e acima de tudo, personalizado, algo que é novo para mim!
Ainda assim, não deixo de estar actualizado acerca da minha terra, e graças aos telefonemas frequentes, ao facebook e ao Diário de Notícias da Madeira, não perco uma novidade que seja. Felizmente a Internet também permite acesso aos canais tugas e continuo com a sensação de viver numa espécie de extensão da ilha! Honestamente ainda não me sinto emigrante.
Profissionalmente, confesso, tenho algumas saudades de trabalhar na Madeira. Não que aqui seja mau, mas há outra forma de se olhar para as pessoas que aqui ainda não há. E obviamente que faz falta ter uma equipa que nos conheça bem a trabalhar connosco!


quinta-feira, 30 de maio de 2013

3ª semana...ou primeiro ano?

Estou cá a três semanas e parece que já cá estou há 3 anos. Não sei bem o motivo desta sensação. Mas será uma mistura de saudades de casa, da família e os amigos, com as novas vivências, o conhecer novas pessoas e este grupo!
Tenho de dizer que a adaptação ao país não está a ser difícil de todo. Ainda não me sinto emigrante e o facto de ser um local muito multicultural também ajuda. E para bónus, ainda não tive que falar muito inglês, ainda vou gastando latim.
Neste momento estou naquilo que se chama "induction", ou seja, uma espécie de introdução teórica ao novo trabalho, onde a instituição se apresenta, fala do que pretende de nós e apresenta também os vários sectores. Já tive a oportunidade de ir até aos serviços e diga-se, há muitas diferenças para Portugal. A organização do trabalho, os materiais, as condições de trabalho, a flexibilidade dos empregadores e até alguns grupos profissionais peculiares são algumas das diferenças que encontro, embora não me seja conveniente estar aqui a fazer comparações. Mas o que posso dizer é que a mentalidade tem uma diferença brutal, por cá há a intenção de se melhorar e valoriza-se quem trabalha bem. Curiosamente existe imensa falta de pessoal para trabalhar, especialmente enfermeiros, sendo que a taxa de desemprego por cá nesta cidade é de cerca de 13% e o curso de enfermagem é totalmente gratuito!
Ainda assim, temos recebido já elogios, pois o facto de sermos profissionais bem formados, com um grande conhecimento e até alguma experiência, deixou boas impressões nas primeiras passagens pelas "wards" ou serviços. Noto até alguma surpresa de parte dos profissionais que estão no terreno e os utentes elogiam a facilidade com que comunicamos numa língua que não nos é a primeira língua!
Fico com pena no entanto de ver que tanta gente talentosa não pode dar o seu contributo no seu país. Por aqui os ingleses agradecem, pois ficam muito a ganhar!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A primeira semana!

Diz-se que a primeira semana é a mais difícil. Confesso que sentem-se as saudades. A família e o clima são as coisas que saltam logo à mente.
Mas passadas as primeiras 24h, começa-se a entrar no novo mundo. Harlow, à semelhança de Londres, é um local multicultural! Muita gente de muitos sítios, desde chineses até indianos, africanos, polacos e agora uma nova vaga de portugueses, que estão sempre em todo o lado!
A cidade é agradável, verdinha, muitos "open fields", um sítio calmo, mas comparativamente à minha anterior realidade, com muitos espaços comerciais.
O custo de vida é muito parecido à Madeira, preços dos bens essenciais muito semelhantes e roupas, sapatos, acessórios parecem-me mais baratos. As pessoas são,  aparentemente, simpáticas e cordiais. Factos curiosos: aqui muitas dos serviços fecham às 16/17h, muitas lojas fecham às 17/18h, e se lá entram uns 10/15 mins antes de fechar, quase não nos deixam comprar nada.
Ainda assim os locais são pessoas abertas, disponíveis, sempre dispostas a ajudar, muito educados.
A adaptação à língua está a ser gradual, cada dia que passa compreende-se e fala-se melhor. O maior problema é perceber outros estrangeiros a falar inglês, mas nada que um "haan??" não resolva!
Relativamente ao hospital, facto curioso: a imprensa não dá grandes tréguas! Basta alguma coisa vazar, uma declaração mais infeliz ou um comentário no facebook e pimba, sai notícia! O Correio da Manhã ao pé do jornal local é um jornal de meninos de coro! Daí que não vá fazer grandes comentários por cá sobre o mesmo, não vá essa malta aprender português e ler isto! =D

Conclusão da primeira semana: este é um bom local para se viver, pena apenas que não se possa pegar em tudo o que aqui há de bom e transferir para a Madeira! =D

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sair de Portugal e aterrar em Inglaterra

Há que dizê-lo: é psicologicamente DURO! 

Despedir-se, nem que seja para um até já de tanta gente significativa é um teste duríssimo.

A viagem correu bem, mas o cansaço que dela deriva deixa-nos exaustos. Psicologicamente não é fácil, começa-se a pensar em tudo e mais alguma coisa, as saudades de tudo começam a vir! Reparamos que tudo é diferente e há que fazer um esforço para nos adaptarmos! Muito para se encaixar num dia!

A boa notícia é ter-se internet, sabe tão bem!!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Capítulo I, por terras de Zarco!



A ideia já estava em mente a algum tempo. 

Os motivos? 

Antes de tudo,  contexto que me rodeia nesta terra começa a ser difícil. Parece um jardim que deixou de ser regado e de repente começamos a ver as plantas a secar à nossa volta! E apesar de saber que a minha secção não está muito vulnerável, o panorama é preocupante, pois um dia falta a água...e a vida como a conheço e como a quero viver fica desta forma seriamente ameaçada!
As palavras dominantes são a crise, a austeridade, cortes, desemprego, precariedade... bons estímulos para uma aventura!
Aproveitando que tenho motivo e sabendo que há a oportunidade de conhecer outros mundos e ter novas aventuras, decidi fazer aquilo que para uns até nem faz muito sentido e para outros até é a opção lógica: demiti-me do trabalho e vou para terras de sua Majestade cumprir os desígnios que Florence Nightingale definiu a dois séculos atrás!

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A despedida da ilha...ou um até logo?

A sensação que se fica nesta fase é a de que as pessoas pensam que ou a nossa vida está prestes a acabar ou a de que vamos para um sítio tão longe que reagem como se nunca mais nos vissem mais na vida. Seja como for, algo que me deixa contente é saber que as pessoas que conheço gostam mais de mim que parece, pois não são muitos que se querem ver livre de mim. Todos os dias também me perguntam quando vou, como vou, com quem vou e mostram interesse em acompanhar a minha aventura. Este blog servirá para isso!

Eu tenho dificuldades em despedir-me de seja lá o que seja. Não acho que vá falecer, nem acho que vá fazer nada pela última vez. Mas na verdade pode acontecer o caso de não voltar a ver tão cedo algumas pessoas com as quais tenho boa amizade. Com outros amigos perderei o contacto regular, quase diário, embora acredite que com as novas tecnologias, pode-se preservar muita coisa!

A família sim é algo que nos deixa apreensivos. A vontade de ir à aventura é grande, mas não se deixa de pensar se eles conseguiram sobreviver da mesma forma sem nós! Apesar de tentar esconder as mágoas, não deixa de ser algo duro saber que se vai ficar longe dos nossos e de que a vida deles ficará mais difícil. Fica uma espécie de sentimento de culpa até, algo que terei de saber de lidar. 

Nestes dias ainda assim multipliquei-me em convívios e festas, e tenho de dizer que tenho desfrutado ao máximo o tempo que me resta até ao dia da viagem. Quase nem dá para cumprir as 8h de sono diárias! E ainda tenho muito para fazer, e infelizmente não vou conseguir rever todas as pessoas que desejaria até esse dia. Mas como digo, voltarei! 

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O grupo de aventureiros

No grupo, tenho de dizer que sou dos poucos aventureiros voluntários. Muitos dos que o constituem aventureiros à força, se é que posso utilizar tal termo. 
Apesar de ser recente e da actividade que tem existido ser na sua maior parte online, observo que há já uma noção de que a união nos será útil e garante de afastar a solidão inicial que poderá surgir.
Dois convívios já se realizaram ao vivo e a cores e nota-se que a interacção entre as pessoas começa a ser boa! Diria que é mesmo promissora!

As expectativas

Sinceramente ainda nem construí grandes planos e ainda nem tenho grandes expectativas. Mas sei que o período de adaptação ao novo mundo será bem difícil! O primeiro mês será durinho e cheira-me que muito rico em burocracia, coisa que odeio!! E será também um teste ao meu desenrascómetro! Mas não tenho medo nada, venham as dificuldades!